Resenha rápida: O Lado Bom da Vida de Matthew Quick

Resenhas rápidas servem para falar sobre livros dos quais não me vejo tentada a discorrer com maiores propriedades. Leia-se (de forma educada), livros que não gostei.

O Lado Bom da Vida de Matthew Quick me deixa na dúvida se a vida (pelo menos nesse contexto) realmente tem um lado bom.

Um dos artifícios de um autor é se usar do estilo de narrativa de seu livro para levar o leitor a vários lugares. Por exemplo, por meio de uma narrativa fechada em uma pessoa só, na primeira pessoa, o autor consegue esconder fatos da história, filtrar o que bem quer, a fim de causar um impacto diferente no leitor. O mocinho, nesse caso, pode ser o vilão. O vilão, o mocinho (leia-se Snape, aqui, ok?).

Eu adoro esse tipo de artimanha. Mas ela tem que ser bem usada, como tudo na vida.

Na minha última resenha, eu abordei isso brevemente com o personagem de Palahniuk e, apesar de ainda não ser o auge da manipulação narrativa, Tender Branson ainda consegue ser dissimulado por baixo de toda aquela camada de discurso indireto.

O personagem desse livro, o tal do Pat Peoples, não consegue se usar disso. Enquanto, pelo que parece, Quick quis deixar seu personagem com um tom de “inocência” (?), afetamento mental e simplicidade, tudo o que conseguiu foi deixá-lo com a voz de uma criança de 5 anos tentando ser adulta – e não no bom sentido da coisa.

Frases repetidas, raciocínios e construções de frase que lembravam um idiota falando o tempo inteiro – esse foi “O Lado Bom da Vida”.

A história, de fato, é simples. Começa com Pat sendo tirado de dentro de um hospício. Num primeiro momento, não temos nem mesmo a informação sobre como ele foi parar lá. Sabe-se, porém, que ele ama Nicki.

Quanto à Nicki, você, enquanto leitor, imagina várias coisas: ela é uma vaca, ela é uma vítima, ela é uma construção do imaginário de Pat e ela é uma vaca (sim, de novo). Porque a abstração que Nicki representa é tão grande que se começa a questionar de tudo.

Entende-se que, o que quer que tenha acontecido com Pat, deva ter fundamento na relação dos dois, como é explicitado o livro inteiro. Mas, novamente, devo considerar esse livro um desperdício – não estou tendo sorte nos últimos tempos.

De qualquer modo, Matthew Quick, pelo menos, tentou: ele quis mostrar a cura (?) de um homem que teve sua vida virada de cabeça para baixo com problemas psicológicos. Para mim, tanto Quick quanto Peoples falharam – nenhum dos dois atingiu seus objetivos.

O livro ainda tem alguns outros subplots – tramas como a amizade de Pat Peoples com seu psiquiatra, a intensa busca do rapaz de um corpo perfeito (para Nicki), sua relação com a (doida) da Tiffany (suposto amor de cura do livro) e a interação entre a mãe e o pai de Pat. Achei um enredo muito enroscado em desnecessidades – havia muita coisa passível de bolinha-de-papel-e-lixo, mas que acabou ficando no enredo… nem eu sei explicar porque diabos ficou.

Eu não ouso dar mais do que duas estrelas a esse livro. Quando a primeira impressão é ruim e é a primeira impressão que se tem com o personagem principal, a não ser que haja uma reviravolta mirabolante ou um plot digno de sobs de fangirl, nada me ajuda para elevar o rating do livro.

11

 

 

Até a próxima,

 

C.R.

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