Resenha: A Voz do Arqueiro – Mia Sheridan (Signos do Amor/04#)

Capa

  • Livro: A Voz do Arqueiro (04# – Signos do Amor)
  • Autor: Mia Sheridan
  • 325 páginas
  • Sinopse:

Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor.

Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar.

Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde.

Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma
mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de
um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda.

Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

!!!Resenha com Spoiler!!!

Talvez por um preconceito habitual, eu tenha certo receio de chegar perto de histórias com finais felizes, ou HEA (Happily Ever After). Sou mais chegada a literatura realista,  aquela que quase nunca termina com um final feliz: Lionel Shriver, digamos assim.

Mas eu gostei da premissa desse livro. O girl-meets-boy aqui é clássico: moça machucada pela vida encontra homem machucado pela vida e os dois se curam simultaneamente. E, a despeito do fato de que é realmente nessa base, eu não consigo precisar o motivo pelo qual A Voz do Arqueiro entrou pro meu top 7 facinho, facinho.

Começaremos pelo óbvio: Mia Sheridan apela pesado com Archer Hale. Quem não gosta do herói machucado pela vida? Quem não gosta de se colocar no lugar da heroína, Bree Prescott, que junta os cacos de um coração destroçado pela tragédia? Aliás, o apelo de qualquer livro da série “Sabrina, Julia e Bianca” é geralmente esse. Na leitura de “A voz do Arqueiro” você vai encontrar descrições que categorizam Archer Hale como “beijado pelo sol” ou com “olhos cor de uísque”, bem como a clássica descrição de um orgasmo como “uma explosão de mil pontos de luz” e suas variações habituais. Se visto pela lente crítica, o livro é simples e não passa de uma história de amor para quem realmente gosta delas.

A diferença vem com um detalhe em Archer: ele não fala. Depois de ter perdido a voz num acidente misterioso, ele isola-se do mundo e de todos, tornando-se o esquisitão da cidade, a quem todos teimam e ignorar e, no final, ele realmente prefere assim.

Acho que foi o mistério que envolve ele que me pegou de jeito. O modo incomodado e cheio de chateação que ele lida com a intrusa Bree Prescott é fascinante, e, digamos de passagem, é mais fácil se apaixonar por um bad-guy do que pelo mocinho, certo?

Eu devo dizer que um dos motivos pelos quais li esse livro é porque sempre tive curiosidade no modo como os autores descrevem uma deficiência em especial. Existe muito estereótipo e Sheridan em nenhum momento escapa deles, mas não chega a ser um manual de como ser estereotipada ao criar um personagem: Archer tem algo a mais.

Eu me apeguei aos personagens. Porque Sheridan construiu um homem corajoso e ao mesmo tempo extremamente inseguro. Achei que o tom “Sabrina” de todo o livro se desviou quando Archer confessa a Bree que ela é tudo para ele e não no sentido romântico da coisa: no sentido prático no qual ela o tirou de um estilo de vida que ele se acostumara e apresentara um novo mundo que, na ausência dela, desmoronaria. Quando revela-se a situação doentia desse amor, quando entendemos que Archer é dependente de Bree (algo que nunca ninguém quer usar de adjetivo para um homem belo e misterioso) a parte romântica da história cai por terra. Agora não é sobre boy-meets-girl, é sobre uma existência falha, dependente, completamente danificada.

Sheridan vai além porque mostra o que acontece depois que a heroína salva o herói de seu mundo de tristeza; os créditos não sobem quando o primeiro desentendimento se resolve, ou seja, não quer dizer que dali para frente todos os problemas serão ultrapassados. Existem um porém depois do primeiro “felizes para sempre” e é o da própria existência de Archer. Ele continua precisando de Bree, cada vez mais e mais dependente. Nessa hora, ele acaba ficando difícil de gostar, porque simplesmente não é o tipo de relação que alguém quer. Existem cenas, como as de Archer entrando no café onde Bree trabalha, para saudá-la em meio ao seus amigos, nas quais vemos o lado adolescente sonhadora de Mia Sheridan. É o que toda adolescente quer, não é? Relacionar-se com um homem belo, misterioso e charmoso que aparece para fazer inveja para todos no seu trabalho. É uma cena que faz você sorrir como uma criança, o coração apertado de felicidade no peito. Mas Sheridan também consegue apertar seu peito com o outro lado da moeda: ao fazer o leitor ficar com pena do herói e uma pena genuína, porque o problema não parece ter solução.

Uma das curvas mais emocionantes da trama é ver Archer entrando em um pânico desesperado ao imaginar que Bree havia morrido num acidente de carro quando ela parou de responder suas mensagens, quando na verdade ela somente havia derrubado o aparelho numa poça de água em frente ao McDonald’s. É possível sentir a vergonha que ele sente, uma demonstração de sentimento exacerbada que não se justifica, principalmente pelo fato de que ele tem um ataque de pânico por causa do seu temor de ter perdido Bree. É horrível ver um homem crescido se desconstruir numa criança assustada como o que acontece com Archer.

De repente, você se importa e se desespera: aquele homem dá a noção de que precisa ser protegido, guardado, segurado entre os braços enquanto chora tudo o que perdeu na vida. Ele é uma criança. Não é um homem para se amar como um parceiro de cama, alguém que faz sexo com você no meio da noite e te leva ao orgasmo (mesmo o que seja descrito como “uma explosão de um milhão de pontos de luz”).

Em determinado ponto, de um jeito curioso e que exige um pouco de vista grossa pelo modo de urgência com o qual se resolveu o problema, Sheridan consegue recuperar o que nos faz acreditar que Archer pode se relacionar com Bree sem que a relação se torne trágica/absurda. Uma viagem dele com seus demônioa consegue curar o medo dele e fazê-lo voltar para Bree como alguém mudado.

E, depois de um cliffhanger que me fez tremer enquanto eu lia, chega o HEA.

Mas, depois que fechamos o livro, não fica aquela sensação satisfeita que se espera de um HEA como esse. Fica um incômodo, uma sensação estranha demais. É o tom de realidade que deixa aquela camada rançosa na língua, aquele desencontro de vontades. Por essa seriedade, esse tom realista e trágico, eu adorei esse livro. Coloquei-o na estante há pouco mais de 23 horas, mas já quero pegá-lo de novo Quero lê-lo novamente, conhecer Archer mais uma vez, mas dessa vez sem subestimá-lo como um rapaz qualquer com um problema qualquer.

Definitivamente, um livro 5 estrelas.

Em termos de escrita, Sheridan é direta e não há muita enrolação, nem mesmo quando é preciso descrever o sexo. Achei isso fantástico, ninguém precisa de meio termo para descrever algo tão normal quanto uma relação entre duas pessoas que se amam.

5.png

O livro faz parte de uma série de outros 12, acredito, cada um falando de um signo do zodíaco, sendo esse o de sagitário. Se lerei ou não, não sei dizer. Acho que preciso de um tempo de distanciação para descobrir isso.

Até o próximo post.

C.R.

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