Resenha: Pequenas Grandes Mentiras – Liane Moriarty

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  • Nome: Pequenas Grandes Mentiras
  • Autor: Liane Moriarty
  • 400 páginas
  • Sinopse:

Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular.
Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o novo romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

O primeiro livro de Liane Moriarty que li foi, de acordo com o Goodreads, porque eu mesmo não lembro, em 2014, “O Segredo de Meu Marido”. Particularmente, esse volume de 2013 contava uma história mais que adorável sobre uma trama de segredos e inverdades que me deixou grudada nas páginas do primeiro capítulo até o último, num frenesi vigoroso para saber o que acontecia depois.

Inverdade seria dizer que isso não ocorreu com “Pequenas Grandes Mentiras”, mas também o seria se o dissesse que foi no mesmo frenesi. Não foi.

O plot do livro é fantástico: um assassinato ocorre na noite de um evento na escolinha de uma comunidade muito burguesa e cheia de loiras oxigenadas e ricaços com mansões. Inicialmente, não se sabe quem matou sequer quem morreu, o que eu acho que deu ao livro um aspecto muito legal de mistério e constante tentativa de adivinhar não somente o nome do assassino, mas também do assassinado.

Não vou ser megera e dar spoiler, mas o que eu digo é que: se entrarem com a minha mentalidade, nunca descobrirão quem são um ou outro. Eu fiquei, de fato, chocada no final ao descobrir o desfecho, mas pareceu lógico e válido, nada forçado.

O livro peca, porém, em sua lentidão para desenvolvimento da trama. Não sei dizer se ter lido a outra obra de Moriarty estragou meu paladar, considerando seu ritmo mais rápido e focado em diversos pontos de vistas entrelaçados, mas achei Pequenas Grandes Mentiras um pouco lento, para dizer a verdade.

A construção do que ocorreu se deu cronologicamente e cada capítulo começava com uma contagem regressiva para o dia no qual o evento anunciado no início do livro se daria. Criou uma expectativa muito grande, mas acho que acabou escorregando por demorar demais para saciá-la. Eu fiquei ansiosa com o texto, muitas vezes completamente irritada com cenas que, sinceramente, não faziam muito sentido na trama em geral.

Houve muita preparação para algo que poderia ter sido entregue mais rápido e de forma mais abrupta, como para tirar o fôlego de quem lia.

Um pró em termos de narrativa foram os diálogos diretos que aconteciam no final de cada capítulo. Como o assassinato já havia sido apresentado por uma nuvem de incerteza e silhuetas irreconhecíveis no começo da trama, o finalzinho de cada capítulo tratava do inquérito para a descoberta do culpado, com diálogos hilários.

Havia, de fato, uma certa confusão, considerando que esses diálogos aconteciam rapidamente e sem nenhuma apresentação dos indivíduos que eram interrogados. Sabia-se somente que haviam participado de alguma forma do evento no qual se dera o assassinato. Contudo, assim que se pegava o ritmo, ia tudo muito deliciosamente ácido e engraçado, um aspecto na escrita de Moriarty que simplesmente não se pode negar.

Em questão de POV (Pontos de vista), o livro aborda a visão de Madeline, uma mãe atarefada e ligeiramente estabanada que tem um casamento sólido com um homem normal. Há muito nela daquele estereótipo de mãe privilegiada, em termos do modo como age com as outras mães da escola de seus filhos, com rivalidades colegiais e conversas absurdamente sem conteúdo e raciocínio. Entretanto, isso não quer dizer que ela seja de todo mal: Madeline é feroz em termos do que quer para si e para seus filhos, bem como para seus amigos e família. Boa parte da trama se desenvolve diante das medidas que ela toma para assegurar isso.

Madeline se torna, bem no começo do livro, amiga de Jane, uma mãe solteira e misteriosa que não gosta de se arrumar do mesmo jeito que as mães daquela comunidade gostam. É o que Moriarty deixa claro logo de cara na narrativa. Jane é simples e prática. Tem um garotinho lindo que tem um brilho ainda mais enigmático do que o da mãe, e ele é responsável pela trama principal de quase todo o livro. Ela não é uma personagem superficial como os outros POVs parecem, inicialmente. Ela é como a garota nova no colegial que, de algum modo, se mete no meio das patricinhas e vive dentro de seus conflitos.

O terceiro e último ponto de vista é o de Celeste. Por mais que, inicialmente, ela pareça completamente rasa e sem vontade própria, descrita como absurdamente linda e rica, com uma família perfeita, com um marido maravilhoso e uma vida invejável, Celeste não é só isso. A trama mais pesada da história fica por parte dela, o que não vale contar aqui porque o choque ao ver do que se trata é interessante demais para ser estragado. No fim, ela acaba sendo a parte mais interessante de todo o plot do livro.

Infelizmente, Pequenas Grandes Mentiras não é mesmo O Segredo de Meu Marido. Há uma doce conexão entre os personagens que falta nesse último lido. Contudo, não deixa de ser divertido.

De cinco, quatro estrelas.

4

Até a próxima,

C.R.

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